Chegou o dia da querida árvore de Natal voltar para sua “casa”, a caixa de papelão.
Acordo bem cedo e, enquanto a casa ainda está silenciosa, preparo meu café e vou tomá-lo na sala, em frente dela.
Aproveito os últimos minutos, antes de o sol penetrar em minha casa, iluminando cada cantinho da sala. Acendo suas luzes, sua estrela-ponteiro e saboreio sua beleza nobre e todo seu encantamento.
Ela é assim, linda e encantada.
E fico recordando… perdida em pensamentos. Quando chega novembro todas as casas, todos os comércios, ruas, praças e avenidas se iluminam de forma diferente, mágica até. Toda sala instala sua garbosa árvore.
E como num passe de mágica, a maioria das pessoas absorvem das luzes coloridas natalinas e tornam-se mais gentis, cordiais e tolerantes.
Há os que reclamam, é claro, dizendo que tudo não passa de comércio, consumismo desvairado. Mas também não há como negar que, até os resmungões, ficam mais gentis. Que até eles enfeitam suas árvores e esperam por presentes.
Cantarolo baixinho a antiga canção: “Há sorriso em cada face…Todo mundo é mais gentil…”
Termino meu café e começo a árdua tarefa de “despir” minha garbosa árvore de Natal.
E aos poucos ela vai ficando sem seus adornos, sem seu brilho e ostentação. Até não haver mais nada do que ela mesma, verde e singela.
Então penso que assim como minha árvore, as pessoas também tiram seus brilhos, seus adornos natalinos, que considero sendo a gentileza e tolerância. Entretanto, diferente da árvore que volta para sua humildade e singeleza, as pessoas voltam a ser rudes, grosseiras e intolerantes. 
Apesar de todo o significado embutido no esplendor da árvore de Natal, as pessoas não assimilam o fato de que ela se enfeita e brilha para comemorar o nascimento de Jesus, a Luz do Mundo, Aquele que foi a encarnação do Amor, exemplo de sacrifício, tolerância e perdão.
Enfim, o ano se inicia e vamos vivê-lo da melhor forma possível, até que novamente chegue dezembro e possamos dizer: “Enfim é Natal!”
